
O Papel da Liderança e seu Impacto na Saúde Mental no Trabalho
24 de fevereiro de 2026
Vivemos uma crise silenciosa de saúde mental no trabalho sem precedentes. Dados de 2025 demonstram que o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por motivos de saúde mental, que é o maior número de afastamentos por ansiedade e depressão dos últimos 10 anos, segundo o Ministério da Previdência Social.
Entender como a saúde mental afeta diretamente a produtividade, o engajamento e até os resultados da equipe é um ponto central da estratégica de qualquer organização, assim como um dos papéis da liderança.
VOCÊ SABE O QUE SÃO RISCOS PSICOSSOCIAIS?
Os riscos psicossociais incluem fatores do ambiente de trabalho que podem causar impacto na saúde mental, física e social dos trabalhadores. Alguns exemplos são: pressão excessiva por resultados, jornadas extensas, metas inalcançáveis, conflitos interpessoais, assédio moral, falta de autonomia e ausência de suporte organizacional. Essas situações afetam o clima organizacional, a produtividade e a segurança.
ATUALIZAÇÕES DA NR-01 E OBRIGAÇÕES PARA LÍDERES:
Desde a publicação da Portaria MTE nº 1.419/2024, com a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora) determinando que, os riscos psicossociais sejam identificados, avaliados e controlados como parte do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), integrando o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A partir de maio de 2025, todas as empresas precisarão demonstrar, por meio de documentos e ações, como gerenciam os riscos psicossociais no ambiente de trabalho, independentemente do seu porte ou segmento, reconhecendo formalmente a importância da saúde mental como um componente regulatório, indispensável para a proteção do trabalhador.
O prazo para adequação das organizações estava previsto para 26/05/2025, porém, o prazo para autuações por irregularidades foi prorrogado até 26/05/26.
Aspectos Práticos da Implementação:
O gerenciamento de riscos psicossociais deve seguir etapas cíclicas:
- Diagnóstico e mapeamento: Avaliar o ambiente de trabalho para encontrar potenciais riscos.
- Avaliação: Medir o impacto dos riscos identificados, por grau de severidade e probabilidade, para priorizar ações corretivas.
- Plano de ação: Estabelecer medidas para eliminar, reduzir ou controlar riscos. Exemplo: ajustar carga de trabalho, criar canais de denúncia, treinamento para líderes e colaboradores, oferecer apoio psicológico.
- Monitoramento contínuo: Avaliar a efetividade das ações implementadas periodicamente e ajustar conforme necessário.
- Documentação: Manter registro detalhado dos riscos, ações, treinamentos e resultados, conforme exigido pela NR-1 (Inventário de Risco e Plano de Ação).
O PAPEL DO LÍDER NA GESTÃO DOS RISCOS PSICOSSOCIAIS
Os líderes possuem papel central, não apenas no cumprimento da legislação, mas na promoção de uma cultura organizacional segura e saudável. A NR-1 reforça a importância de:
- Definir políticas e metas claras para os colaboradores.
- Garantir a alocação de recursos para ações preventivas.
- Implementar programas, supervisionar as atividades e envolver as equipes.
- Promover treinamentos contínuos sobre saúde mental, boas práticas e prevenção ao assédio.
- Incentivar a escuta ativa e promover canais seguros de comunicação.
- Inspirar pelo exemplo, demonstrando compromisso visível com o bem-estar da equipe.
- identificar situações de risco e agir rapidamente para reduzir consequências.
Além disso, os líderes devem estimular a participação dos trabalhadores no diagnóstico de riscos, ouvir suas percepções e promover feedback contínuo – fatores essenciais para uma gestão realmente eficaz.
Boas Práticas:
- Invista na capacitação da equipe, especialmente em todos níveis da liderança, em temas como saúde mental, bem-estar, comunicação, gestão de conflitos, gestão do estresse e tomada de decisão empática.
- Crie canais de apoio psicológico e promova ações para combater o assédio e a violência no trabalho.
- Inclua indicadores de saúde mental nos KPIs da empresa e monitore os resultados.
- Promova campanhas socioeducativas e espaços de escuta sobre saúde mental.
- Revise periodicamente as políticas internas para garantir o alinhamento ao critério da NR-1 e foque na prevenção da prática dos riscos psicossociais.
CONCLUSÃO
A gestão de riscos psicossociais deixou de ser uma mera orientação e passou a ser uma obrigação legal. O sucesso das ações depende do engajamento da alta direção e do comprometimento diário das lideranças. Capacitar, engajar e transformar a cultura organizacional são desafios permanentes para garantir um ambiente de trabalho seguro, saudável e produtivo sob a ótica da NR-1.
Líderes bem preparados são peças-chave para que a adaptação à nova NR-1 vá além do papel, promovendo ambientes mais humanos e empresas mais competitivas e sustentáveis.
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A Happy Academy é uma consultoria especializada na Gestão de Riscos Psicossociais, desde o mapeamento (Inventário de Riscos) até a elaboração e implementação do Plano de Ação.


